Rota dos queos em Asturias: tradição, diversidade e dicas de visita
Descubra como a produção artesanal de mais de quarenta queos, dos azuis de Cabrales aos intensos Casín, define a identidade gastronômica do Principado
5 de September de 20263 min de leitura
Asturias, conhecida pelos seus paisagens verdes e pela costa cantábrica, também se destaca por uma tradição queijeira que reúne mais de cinquenta queos artesanais, entre eles o icônico Cabrales, o gamonéu e o intenso casín. A região oferece uma rota gastronômica que permite ao viajante vivenciar a produção, a maturação em cuevas e as certificações de origem que dão identidade ao Principado.
A tradição queijeira de Asturias
A produção queijeira está concentrada principalmente na zona oriental do Principado, onde os Picos de Europa fornecem pastagens de alta qualidade para o gado. Cerca de 65 % dos queos são de vaca, mas há também versões de oja, cabra e misturas. A maioria das queijarias artesanais está registrada sob denominações de origem ou indicações geográficas protegidas, garantindo um vínculo forte entre o produto e o terruño.
Queos emblemáticos: Cabrales, Gamonéu e Casín
Cabrales – o queijo azul mais reconhecido da Espanha, possui a segunda denominação de origem mais antiga do país (1981). Sua produção é limitada às parroquias de Cabrales e a três de Peñamellera Alta. O queijo é maturado em cuevas naturais, onde a umidade influencia a cremosidade. A maturação varia de dois a quatro meses, com versões “Reserva” que ultrapassam dez meses. O sabor é intenso, picante e levemente salgado, com veios azuis que chegam ao centro.
Gamonéu – também conhecido como gamonedo, tem duas versões: a do porto (produzida de junho a setembro com leite de gado itinerante) e a do vale (ano inteiro). O queijo é maturado em cuevas, mas o azul aparece apenas próximo à casza. A textura é dura ou semidura, com sabor equilibrado e notas defumadas provenientes da leña de árvores autóctonas. As peças podem chegar a sete quilos e requerem, menos dois meses de maturação.
Casín – o queijo mais jovem com denominação de origem, elaborado com leite cru de vaca nas áreas de Caso, Piloña e Sobreescobia. Seu processo inclui um amasado posterior ao desuerado, que gera um grão fino e intensifica o sabor. A maturação mínima é de dois meses, produzindo que entre 250 g e 1 kg. O casín apresenta um perfil proteico e gorduroso, com retrogosto longo, picante e, às vezes, acre.
Como percorrer a rota dos queos
A rota pode ser iniciada em Llanes, onde se encontram referências como o Vidiago e o Bedón, e seguir para a zona oriental, passando por Peñamellera Baja e Cabrales. Visitar as queijarias permite observar a produção em cuevas, como a Quesería Maín em Sotres, que utiliza três cavernas diferentes. Eventos anuais, como o Certamen do Queijo Cabrales no último domingo de agosto e a competição de Gamonéu em Benía de Onís em outubro, oferecem degustações e contato direto com os produtores.
Dica de conservação: para manter o Cabrales em casa, retire-o da embalagem original, cubra-o com um pano úmido e guarde-o em recipiente fechado na geladeira. Isso preserva a umidade e evita o ressecamento.
Conclusão
A rota dos queos em Asturias vai além da degustação; ela revela como a geografia, as tradições pastorais e as técnicas de maturação em cuevas moldam uma identidade gastronômica única. Para o viajante que busca entender a cultura local através do paladar, seguir essa rota oferece um panorama completo da diversidade queijeira do Principado.
Nani é cofundadora da Craft Travels e atua há mais de 27 anos no mercado de turismo e hospitalidade, com experiência em estratégia, marketing, vendas e desenvolvimento de experiências de viagem de alto padrão.
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